Com a chegada da
família real ao Brasil, em 1808, nossa cultura científica e
literária recebeu novo alento, pois até então não havia
bibliotecas, imprensa e ensino superior no Brasil Colônia.
São fundadas,
inicialmente, as Faculdades de Medicina (1815), Direito (1827) e
a de Engenharia Politécnica (1874).
Quanto ao ensino
das Ciências Agrárias, seu interesse só foi despertado quando o
Imperador D. Pedro II, ao viajar para França, em 1875, visitou a
Escola Veterinária de Alfort, impressionou-se com
uma Conferência ministrada pelo Veterinário e
Fisiologista Collin. Ao ao
Brasil, tentou propiciar condições para a criação de entidade
semelhante no País.
Entretanto,
somente no início deste século, já sob regime republicano,
nossas autoridades decretaram a criação das duas primeiras
instituições de ensino de Veterinária no Brasil, a Escola
de Veterinária do
Exército, pelo Dec. nº 2.232, de 06 de janeiro de (aberta em
17/07/1914), e a Escola
Superior de Agricultura e Medicina Veterinária,
através do Dec. nº 8.919 de
20/10/1910 (aberta 04/07/1913), ambas
na cidade do Rio de Janeiro.
Em 1911, em
Olinda, Pernambuco, a Congregação Beneditina Brasileira do
Mosteiro de São Bento, através do Abade D. Pedro Roeser, sugere
a criação de uma instituição destinada ao ensino das ciências
agrárias, ou seja, Agronomia e Veterinária. As escolas teriam
como padrão de ensino as clássicas escolas agrícolas da
Alemanha, as “Landwirschaf Hochschule”.
No dia 1º de
julho de 1914, eram inaugurados, oficialmente, os curso de
Agronomia e Veterinária. Todavia, por ocasião da realização da
terceira sessão da Congregação, em 15/12/1913, ou seja antes da
abertura oficial do curso de Medicina Veterinária, um
Farmacêutico formado pela Faculdade de Medicina e Farmácia da
Bahia solicitava matrícula no curso de Veterinária, na condição
de “portador de outro diploma do curso superior”. A Congregação,
acatando a solicitação do postulante, além de aceitar dispensa
das matérias já cursadas indica um professor particular, para
lhe transmitir os conhecimentos necessários para a obtenção do
diploma antes dos (quatro) anos regimentares. Assim, no dia
13/11/1915, durante a 24ª sessão da Congregação, recebia o grau
de Médico Veterinário o senhor DIONYSIO MEILLI, primeiro Médico
Veterinário formado e diplomado no Brasil.
Desde o início
de suas atividades até o ano de 1925, foram diplomados 24
Veterinários. Em 29 de janeiro, após 13 anos de funcionamento, a
Escola foi fechada por ordem
do Abade D. Pedro Roeser.
A primeira
mulher diplomada em Medicina Veterinária no Brasil foi a DRA.
NAIR EUGENIA LOBO, na turma de 1929 pela Escola Superior de
Agricultura e Veterinária, hoje Universidade Federal Rural do
Rio de Janeiro.
No Brasil, os
primeiros trabalhos científicos abrangendo a patologia comparada
(animal e humana) foram realizados pelo Capitão-Médico JOÃO
MONIZ BARRETO DE ARAGÃO, fundador da Escola de Veterinária do
Exército, em 1917, no Rio de Janeiro, e cognominado PATRONO DA
VETERINÁRIA MILITAR BRASILEIRA, cuja comemoração se dá no dia 17
de junho, data oficial de inauguração da Escola de Veterinária
do Exército (17/06/1914).